Como funcionam as corretoras de criptomoedas

Corretora, carteira, custódia e taxa de rede: esses termos descrevem funções diferentes. Entender cada um ajuda a interpretar as informações de uma plataforma e a reconhecer riscos que uma interface simples nem sempre deixa claros. Neste guia, você vai conhecer o funcionamento das corretoras, os custos mais comuns e os cuidados com contas e dados pessoais. O conteúdo é educativo e não recomenda plataformas nem investimentos.

1. O papel de uma corretora

Uma corretora de criptomoedas, também chamada de exchange, oferece uma estrutura para a negociação de criptoativos. Dependendo do serviço, pode intermediar ordens entre participantes ou apresentar uma cotação para uma operação.

Um par de negociação indica os dois ativos envolvidos. Em BTC/BRL, por exemplo, o preço representa o valor de um bitcoin em reais. Esse exemplo explica a notação; não é uma indicação de compra.

Em plataformas com livro de ofertas, as ordens de compra e venda ficam organizadas por preço. A execução depende das condições da ordem e das ofertas disponíveis. O preço exibido na tela pode mudar antes da conclusão da operação.

2. Corretora, carteira e custódia são conceitos diferentes

Corretora é o serviço de negociação. Carteira é uma ferramenta para interagir com ativos em uma blockchain. Custódia diz respeito ao controle das chaves que permitem movimentar esses ativos.

Custódia por uma empresa

Em muitas corretoras centralizadas, a empresa controla as chaves dos ativos depositados. O usuário acessa uma conta, e o saldo exibido é um registro mantido pela plataforma. O acesso aos recursos depende também dos sistemas, das regras de saque e da capacidade da empresa de cumprir suas obrigações.

Autocustódia e serviços descentralizados

Na autocustódia, o usuário controla as chaves. Serviços descentralizados podem permitir operações por meio de contratos inteligentes, sem uma conta de custódia tradicional. Isso traz outras responsabilidades: perda das chaves, permissões indevidas e falhas de software podem causar perdas.

A carteira não guarda moedas como uma pasta guarda arquivos. Ela gerencia meios de acesso a ativos registrados na rede. Uma frase de recuperação pode permitir reconstruir esse acesso e deve ser tratada como informação secreta.

3. Taxas, spread e liquidez: o que cada termo significa

Taxa de negociação: Cobrança relacionada à execução de uma operação. Pode variar conforme o mercado, o tipo de ordem e as regras da plataforma.

Maker e taker: Uma ordem maker adiciona liquidez ao livro de ofertas; uma ordem taker executa contra ofertas disponíveis. As tarifas podem ser diferentes. Uma ordem limitada não é necessariamente maker.

Spread: No livro de ofertas, é a diferença entre o melhor preço de compra e o melhor preço de venda. Não é sinônimo de comissão.

Tarifa de saque e taxa de rede: A plataforma pode cobrar uma tarifa de saque. Já a taxa de rede está ligada ao processamento de uma transação na blockchain. Os valores não são necessariamente iguais.

Liquidez: Está relacionada à possibilidade de negociar determinado volume sem provocar uma grande alteração no preço. Depende do ativo, do mercado e do momento.

Slippage: É a diferença entre o preço esperado e o preço efetivo de execução. Pode ocorrer quando os preços mudam ou quando não há ofertas suficientes no preço inicialmente observado.

Uma informação como “taxa zero” pode se referir apenas a uma cobrança específica. Ela não significa, por si só, ausência de spread, tarifas de saque ou outros custos.

4. KYC e autenticação em duas etapas têm funções distintas

KYC, sigla de Know Your Customer, é um processo de identificação do cliente. Pode envolver documentos e outras verificações. As exigências dependem da jurisdição, do serviço e das regras aplicáveis. Ter a identidade verificada não garante a segurança dos recursos.

A autenticação em duas etapas acrescenta uma verificação ao acesso à conta. Ela ajuda a reduzir o risco de invasão, mas não elimina golpes nem problemas da própria plataforma.

  • Use senhas exclusivas e proteja também o e-mail associado à conta.
  • Ative a verificação em duas etapas quando disponível e guarde os códigos de recuperação em local seguro.
  • Confira o endereço do site antes de informar credenciais.
  • Não entregue senhas, códigos de acesso ou frases de recuperação a pessoas que se apresentam como suporte.

Para aprofundar esses cuidados, consulte os materiais do CERT.br sobre verificação em duas etapas e phishing e outros golpes.

5. A segurança da conta não elimina os demais riscos

Mesmo com uma senha protegida, existem riscos relacionados ao ativo, à operação e ao serviço utilizado:

  • Variação de preço: criptoativos podem sofrer oscilações acentuadas e perda de valor.
  • Falta de liquidez: pode não haver ofertas suficientes para executar uma operação nas condições esperadas.
  • Custódia e operação: falhas, ataques ou problemas financeiros de um prestador podem comprometer o acesso aos recursos.
  • Fraudes: sites falsos e promessas de ganhos garantidos podem ser usados para obter dinheiro ou dados.

A CVM apresenta riscos associados aos criptoativos em seu material educativo sobre criptoativos e ICOs. Uma medida de segurança específica não representa proteção contra todos esses riscos.

6. Como ler informações sobre uma plataforma

Documentos diferentes respondem a perguntas diferentes. Saber a função de cada um ajuda a distinguir informações verificáveis de afirmações promocionais.

  • Termos de uso: identificam a empresa contratada, as regras do serviço, as restrições e os procedimentos de atendimento.
  • Tabela de tarifas: descreve cobranças, condições e possíveis exceções. A data e o produto ao qual a tabela se aplica são relevantes.
  • Política de privacidade: explica quais dados pessoais são tratados, para quais finalidades e quais canais estão disponíveis para solicitações.
  • Informações de segurança: descrevem medidas como proteção de acesso e verificações técnicas. Uma afirmação genérica de segurança não revela o alcance dessas medidas.

Também é necessário distinguir registro empresarial, autorização para um serviço e afirmações publicitárias. O alcance de uma autorização depende da atividade e da jurisdição. Para entender quando os criptoativos se enquadram nas regras do mercado de valores mobiliários, consulte a explicação da CVM.

Perguntas frequentes

Corretora de criptomoedas e exchange são a mesma coisa?
No uso comum no Brasil, os termos frequentemente se referem a plataformas de negociação de criptoativos. O nome comercial, porém, não informa sozinho quais atividades a empresa realiza ou quais autorizações possui.
KYC é a mesma coisa que autenticação em duas etapas?
Não. KYC identifica o cliente; a autenticação em duas etapas acrescenta uma proteção ao acesso à conta.
Uma carteira é sempre de autocustódia?
Não. Há serviços de carteira em que uma empresa controla as chaves e outros em que esse controle fica com o usuário. A diferença está no controle das chaves, não apenas no nome do aplicativo.
Uma interface em português indica autorização para operar no Brasil?
Não. O idioma da interface não comprova a situação regulatória da empresa.
É necessário abrir uma conta para aprender esses conceitos?
Não. É possível estudar o funcionamento de corretoras, os termos usados e os riscos por meio de materiais educativos públicos, sem cadastro ou depósito.